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Precisamos aprender olhar a Realidade - Pe. Luís Gonzaga Bolinelli

O desenvolvimento dos temas apresentados durante a 3ª Semana Brasileira de Catequese seguiu, de certa forma, o tradicional esquema do ver, iluminar e agir. Essa metodologia ajudou os participantes a irem conhecendo e se identificando com a proposta. Afinal, um dos objetivos era que as pessoas saíssem dali dispostos a fazer acontecer o Processo da Iniciação à Vida Cristã nos mais variados cantos do País.
O primeiro tema já chegou causando grande impacto e muitos questionamentos: “Catequese num mundo em transformação. Desafios do Contexto sociocultural, religioso, eclesial para a iniciação cristã”, apresentado pelo Pe. Joel Portella. Afinal, quando se faz uma séria análise da realidade do mundo de hoje, é fácil constatar que estamos vivendo uma “mudança de época”. Mas o que isso quer dizer mesmo? O que tem a ver com a vida da gente e com a catequese?
Todo mundo já percebeu que nessas últimas décadas aconteceram muitas transformações em vários aspectos da vida. Além da perplexidade diante dessas novas situações, o que mais desorienta as pessoas de hoje é que nos encontramos diante de um novo jeito de assumir, avaliar e enfrentar a vida e seus desafios. Não há mais segurança diante dos critérios de como captar, compreender e julgar tudo isso que vai acontecendo ao nosso redor. Isso tem grandes consequências que vão atingir todos os aspectos da vida, inclusive a catequese!

De acordo com o Pe. Joel a rapidez com que tudo isso vem acontecendo, nos coloca diante de dois perigos: “O primeiro perigo é o não reconhecimento da mudança de época. É achar que este novo jeito de lidar com a vida é questão de mau comportamento ou ignorância religiosa. É dizer que as coisas sempre funcionaram do jeito que conhecemos e, portanto, o caminho, no caso, da evangelização consiste em continuar fazendo o que sempre foi feito, do modo como sempre foi feito. Este é o perigo de quem não consegue ou não quer enxergar a mudança”. E eu digo, pelas experiências que estou tendo, que esta situação está presente de modo fortemente acentuado em muitas de nossas Comunidades, tanto com os leigos, como com o clero. Além da “pastoral de conservação”, será que isso não explica a volta de certo tradicionalismo que cada vez mais está ganhando forças dentro da Igreja?

Pe. Joel afirma também que “O segundo perigo consiste em mergulhar de tal modo na nova realidade que já não se consiga fazer o discernimento entre o que é evangélico e o que não é. Este perigo consiste na total identificação com as expectativas da época que está surgindo, de modo que a ação evangelizadora acabe perdendo sua capacidade de interpelação, de questionamento, de profetismo e dimensão escatológica. O segredo, consequentemente, é o discernimento.” Mais adiante ele diz: “Ingressar na cultua atual, globalizada, individualizada, consumista (...) não significa, portanto, ser apresentado à pessoa e à mensagem de Jesus Cristo”.

Diante dessa realidade o primeiro desafio a ser assumido por toda a Igreja é o de “recomeçar a partir de Jesus Cristo”, anunciando e reanunciando Jesus Cristo às pessoas de hoje, tantas vezes quantas forem necessárias até que cheguem a serem suas fiéis discípulas. Esses são, sem dúvida, importantes pressupostos sobre o qual se embasam um eficaz Processo de Iniciação à Vida Cristã.


  Pe. Luís Gonzaga Bolinelli – Doutrinário
Fonte: Blog da CNBB
Joylson Carvalho

Joylson Carvalho

Web Developer, catequista por vocação desde 1998. Desde 2011 tenho me dedicado a estudos, vivências e praticas da IVC, desde então tenho ajudado na implementação da Iniciação a Vida Cristã com inspiração catecumenal, nas comunidades da arquidiocese de Manaus.

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